sábado, 22 de janeiro de 2011

E se de repente... nos nascessem asas...

Asas para Voar

Era uma vez uma turma de alunos muito amigos e simpáticos. Eles frequentavam uma escola triste e isolada que ficava no meio de uma floresta deserta e seca. Estes alunos, todos os dias, madrugavam para chegarem a horas à escola.
Na sala de aula, abriam sempre o mesmo livro, o mesmo caderno e tiravam do mesmo estojo o mesmo lápis e a mesma borracha. Escreviam sempre as mesmas palavras, os mesmos textos, os mesmos números, as mesmas contas e não faziam desenhos. Era tudo a preto e branco. A sala parecia pequena e escura. Estes meninos e meninas não tinham tempo para brincar, conversar, saltar, correr, rir, imaginar…






                            







Um dia, quando voltavam para casa, descobriram uma luz vermelha escondida numa árvore. Aproximaram-se e rodearam o tronco grosso e alto daquela árvore misteriosa. Ouviram um barulho e logo a seguir abriu-se um buraco no tronco. A luz ficou maior e iluminou uma passagem secreta. As crianças, curiosas, espreitaram e decidiram avançar.



Rapidamente deslizaram num escorrega e chegaram a uma sala enorme, com muita luz. No centro, havia uma mesa rectangular que ocupava quase todo o espaço. Estava cheia de folhas de papel escritas e de objectos de vidro e de porcelana, com líquidos e pozinhos de várias cores que eles desconheciam. As paredes da sala estavam cobertas de estantes carregadas de livros.


Num canto da sala, sentado num cadeirão, um homem dormitava. Ele tinha os cabelos brancos e acinzentados e a pele enrugada. Vestia uma bata branca e sobre o seu colo descansava um livro aberto. Pendurados na ponta do nariz, estavam uns óculos de lentes duplas e redondas. No meio daquele silêncio, um menino mais curioso pegou num frasco, mas escorregou-lhe da mão, caiu e partiu-se. O senhor levantou-se assustado e exclamou:

 - Eureka! Eureka! Descobri a solução!


          
A turma, admirada com este acontecimento, perguntou em coro:
         - Onde estamos?! O que aconteceu?!
O cientista nem se apercebeu da presença deles. Pegou num livro e leu, pegou num papel e desenhou, escreveu, pegou num tubo de ensaio, num pó, num líquido colorido e mexeu, mexeu, mexeu, … Os meninos observavam, com atenção, tudo o que ele fazia. Alguns tomavam notas, outros repetiam as experiências, faziam outras e descobriam coisas novas.

Subitamente, ouviram um murmúrio vindo das estantes. Os livros diziam baixinho palavras que ninguém entendia. Os meninos correram e abriram os livros. Leram, observaram, aprenderam, descobriram, sorriram… Conheceram o Mundo, os países, os continentes, os oceanos, os rios e os lagos. Estudaram as plantas, os animais, o corpo humano e o sistema solar. Encontraram o Espanta-Pardais, o Pinóquio, a Velhinha da Cabaça, a Menina Gotinha de Água, os Pássaros Bisnaus, o Corvo, o Soldado João, a Raposa, o Homem Verde, a Fada das Ondas, o Draguim…
E, de repente, todos os meninos ganharam asas e voaram pela sala. Saíram e encontraram lá fora uma floresta verde, perfumada e cheia de animais. No dia seguinte, a turma voltou para a escola e tudo tinha mudado.
O cientista, do seu esconderijo, observava com um telescópio e pulava de alegria:

         - Resultou, consegui!



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